Colaboração Universidade e Indústria, parcerias que geram resultado

Atualizado: Jun 28

O Brasil tem passado por momentos de instabilidade política e econômica, fazendo com que o país sofra com o processo de desaceleração industrial, o que não é novidade para ninguém. No entanto, é evidente que o país tem um grande potencial econômico e uma forma de explorá-lo ao máximo e retomar o rumo do crescimento são as parcerias Universidade-Empresa.

Assim como disse Elson Longo, diretor do Centro de Pesquisa para o Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF): “Para que haja o desenvolvimento do país e da universidade é preciso que a indústria utilize o conhecimento acadêmico” - Se nunca pensou nisso ou ainda se sente inseguro sobre tal parceria, venha conhecer mais sobre o assunto e descobrir mais sobre o que a universidade pode te oferecer.



O que seriam estas parcerias Universidade-Empresa?


Como o próprio nome já diz, são quando empresas e universidades juntam seus conhecimentos e recursos a fim de desenvolver novas tecnologias de forma a manter a sustentabilidade do negócio e competitividade no mercado, gerando conhecimento e experiência para as instituições de ensino. Nestas parcerias, as universidades entram com o capital intelectual, já as empresas entram com o capital financeiro.

Quais são os benefícios dessas parcerias?


Infelizmente, ainda existe a ideia de que nessas relações somente um lado se beneficia, o que é um pensamento completamente equivocado. Na perspectiva da universidade, tanto os professores quanto alunos são beneficiados, pois aprendem a resolver problemas da indústria, além de manterem um contato para possíveis projetos no futuro, facilitando a inserção desses profissionais no mercado de trabalho. Na perspectiva das empresas, essa integração atua de forma a melhorar seu desempenho, seja no mercado aumentando sua competitividade, seja no desenvolvimento de novas tecnologias ou mesmo no aprimoramento de processos internos. Desta forma, é certa a geração de lucro para os investidores envolvidos e o crescimento da empresa.

Principais barreiras

Segundo o professor da UFMG Marcos Pinotti Barbosa, uma das principais barreiras são os estereótipos criados pela sociedade, em que “a faculdade enxerga os empresários como tubarões e os empresários veem os acadêmicos como preguiçosos”, dificultando a integração. Mas esta não é a única dificuldade enfrentada. Segundo professor da Unesp em Sorocaba, Galdenoro Botura Júnior, a definição de um objetivo comum, que torne a parceria duradoura é um grande desafio, pois “é muito difícil fazer com que um professor gerencie um projeto no qual ele não esteja interessado”. Além disso, o professor afirma que “os parques tecnológicos são mal aproveitados, apesar de serem uma excelente iniciativa, muitas vezes não passam de condomínio de empresas, em que as faculdades 'alugam' o espaço para a iniciativa privada e as largam lá, faltando comunicação e aproximação.”

Panorama atual

Atualmente, muito dos doutores e pesquisadores brasileiros se encontram nas universidades, diferentemente do que ocorre em outros países, como EUA, Japão, França e Alemanha, nos quais as pesquisas se desenvolvem dentro do mercado, guiando-as para solucionar problemas reais da indústria. No Instituto Politécnico de Worcester (EUA), por exemplo, ao chegar no último ano de faculdade, o aluno desenvolve um tipo diferente de trabalho de conclusão de curso (TCC), chamado de Major Qualifying Project (MQP). No projeto, os estudantes montam grupos e desenvolvem soluções para um problema real em sua área de estudo, igual ao que ocorre na Universidade de Stuttgart, na Alemanha, em que alunos resolvem problemas locais da indústria. Note o quanto isto é importante para o desenvolvimento de um país. Imagine agora se todas as universidade brasileiras tivessem iniciativas parecidas. Imagine o tamanho do impacto que traríamos para a produção de novas tecnologias.


Infelizmente, no Brasil, há uma dificuldade na comunicação entre empresas e universidade, tal fato se dá, em sua maioria, pela burocratização das parcerias, principalmente nas universidades públicas, na qual há diferentes visões dos seus setores jurídicos, engessando o processo. Além disso, há uma corrente que defenda que o Estado deva ser o único responsável pelo recursos das universidades e que tal violação fere a independência da instituição de ensino.


Tais barreiras limitam a pesquisa e desenvolvimento, pois desmotivam o contato com as faculdades, fazendo com que a indústria busque soluções por seus próprios meios.


Ei!! Mas não desanime!! Apesar de estas barreiras serem fatores limitantes para a pesquisa, quando são superadas elas geram grandes resultados, como veremos logo adiante.

Resultados provenientes das parcerias



Logo quando essas parcerias são formadas, um dos primeiros resultados que pode ser observado é a criação de um ambiente propício para a inovação, que por conseguinte beneficia o desenvolvimento dos envolvidos (Universidades e Empresas). Um belo exemplo para demonstrar a eficácia dessa integração são os resultados obtidos pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e o Centro de Pesquisa para o Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) que gerou ganhos R$ 100 milhões por ano para centro de pesquisa. Desde 1995, quando iniciou a parceria, foram 32 patentes criadas e 132 artigos científicos publicados. Além disso, o CDMF desenvolveu um refratário para a White Martins, que passou a ser amplamente utilizado no mercado, gerando lucros de R$ 32 milhões em 5 anos para a empresa.

Estes não são os únicos exemplos nos quais a parcerias universidades-empresas geraram grandes benefícios, isto é só uma parcela do quanto essa integração é produtiva para ambos, há exemplos no mundo todo. Peço agora que faça mais uma reflexão: imagine só se o Brasil, com a sua imensa diversidade intelectual, conseguisse firmar essas parcerias como parte da cultura das universidade, note como o desenvolvimento tem a ganhar com isso. E você, que tal fazer parte dessa história?

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